Eu vivo em uma cidade cheia de paradoxos. Uma das mais ricas do Brasil (está entre as dez segundo o IBGE) e os profissionais com formação acadêmica, especialização e demais títulos adquiridos em instituições daqui, em sua grande maioria, ainda tem que migrar para outras cidades para conseguir emprego. Mas, espere aí! Então podemos deduzir que tais instituições educacionais não estão capacitando o seu corpo discente. Ledo engano pensarmos assim. Se isso procedesse, o MEC já teria baixado aqui para dar umas alfinetadas no traseiro de tais instituições; concordam comigo? Por aqui se adotou o forjado discurso de que a cidade tem empregos, porém não há profissionais com qualificação para assumir tais postos de trabalho. Paralelamente a esse “caos”, próximo daqui, em uma cidade vizinha, cuja Petrobras está instalada, podemos nela conferir a existência, em grande percentual, de profissionais advindos da ‘terra dos paradoxos’, sejam concursados e prestadores de serviço em suas terceirizadas. Estranho, não?
Analise esse pequeno estudo de caso: será inaugurado ainda nesse ano de 2010 um grandioso Shopping Center de uma poderosa rede do país. O empreendimento contará com lojas conhecidas da população brasileira dentre elas C&A, Americanas, grandes redes de fast food já aterrissaram por aqui como Bob’s, Giraffas, Habibs e o escanbau. Enquanto isso mais agências bancárias foram inauguradas e até mesmo algumas lojas daqui abrem filiais em vários pontos da cidade. O mais triste ainda é quando se entra em uma repartição pública para resolver alguma coisa e a gente se depara com todo o tipo de pessoa lá “trabalhando”: desde simples alfabetizados a doutores, que, na sua grande maioria estão atuando por firmas terceirizadas dentro da administração pública. Algumas dessas sem nenhuma qualificação para atuar no setor, pois se percebe tal fato em um simples atendimento realizado por ela. Você pede uma informação e ninguém sabe te dizer nada. É claro que uma minoria, às vezes consegue resolver, mas a maioria dá pra perceber que estão ali por intermédio de política. Não conseguiram o cargo por nenhum processo seletivo e esse “cancer” se expandiu para as fundações e empresas terceirizadas da prefeitura. A qualidade profissional nesse caso é descartada, mas o que conta é para qual candidato político você trabalhou durante a campanha. Esse é o quadro da real situação da “cidade dos paradoxos”: filho de pobre, ainda que possua excelente formação, mas sem nenhum conhecimento político aqui no Norte Fluminense, vai ter que correr atrás de um subemprego numa pequena lista de classificados de jornal de domingo e ainda terá que fazer um extra para complementar a renda, pois os melhores postos de trabalho...
Que Deus nos ajude!

